
terça-feira, 28 de Abril de 2009

segunda-feira, 6 de Abril de 2009

I carry your heart with me(I carry it in
my heart)I am never without it(anywhere
I go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
I fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
I carry your heart(I carry it in my heart)
E.E. Cummings
sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

JF @ Setembro 2008
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Mário Cesariny
quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Agosto 2008 - São Tomé
Não sei
se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
António Ramos Rosa - "Uma voz na pedra"
terça-feira, 4 de Novembro de 2008
sábado, 25 de Outubro de 2008
segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Al Berto
domingo, 19 de Outubro de 2008

JF @ Guarda 2007
"Preocupam-me ainda as coisas do passado. Escrevo como se o poema fosse uma realidade, ou dele nascessem as folhas da vida, com o verde esplêndido de uma súbita primavera. Sobreponho ao mundo a linguagem; tiro palavras de dentro do que penso e do que faço, como se elas pudessem viver aí, peixes verbais no aquário do ser. É verdade que as palavras não nascem da terra, nem trazem consigo o peso da matéria; quando muito, descem ao nível dos sentimentos, bebem o mesmo sangue com que se faz viver as emoções, e servem de alimento a outros que as lêem como se, nelas, estivesse toda a verdade do mundo. Vejo-as caírem-me das mãos como areia; tento apanhar esses restos de tempo, de vida que se perdeu numa esquina de quem fomos; e vou atrás deles, entrando nesse charco de fundos movediços a que se dá o nome de memória. Será isso a poesia? É então que surges: o teu corpo, que se confunde com o das palavras que te descrevem, hesita numa das entradas do verso. Puxo-te para o átrio da estrofe; digo o teu nome com a voz baixa do medo; e apenas ouço o vento que empurra portas e janelas, sílabas e frases, por entre as imagens inúteis que me separaram de ti."
Nuno Júdice
sábado, 18 de Outubro de 2008

JF @ Setembro 2007
"Sigo este caminho sem direcção especial,
placas apagadas, linhas contrárias de cada
lado das bermas, árvores caídas sobre a
própria sombra.
Queria avançar para
onde não quero ir, mesmo que seja daí
que tenha que regressar.
Podia ter nos
olhos a indicação do sol, e nas mãos
um resto de lua; com algumas palavras
fabricar uma fulguração de rumo,
que um céu de nuvens logo apagasse; e
do coração tirar um ritmo de passos
esquecidos no eco branco das
dunas. Assim, nem vejo por onde vou:
e sem saber ao que vou, fecho a
realidade que ficou para trás. Tenho
o nada que tenho pela frente; e a
claridade de um horizonte de mar,
sem velas nem aves, a derramar-se
numa aresta de montanhas. Fujo de
mim, tendo-me à mão; e estendo
a mão até ao vazio que fica no fim."
Nuno Júdice, O Estado dos Campos


